O Silício (Si) não é considerado um
nutriente (elemento essencial) para as
plantas, pois estas podem ser cultivadas
e completarem seu ciclo sem a presença
dele. No entanto, quando adicionado ao
solo, via foliar ou na solução nutritiva,
em cultivos hidropônicos, pode proporcionar
efeitos benéficos para a planta.
Ela se torna mais tolerante a patógenos
ou pragas e reduz a perda de água por
transpiração, ficando mais resistentesà falta de água. O aproveitamento da radiação
solar também melhora, por manter as
folhas mais eretas. Além disso, torna as
plantas mais resistentes ao acamamento.
Esses efeitos, indiretamente, acabam
resultando em aumento do crescimento
ou da produtividade.
Para os gramados, o efeito do Silício é muito interessante. Eles se tornam mais
resistentes à seca, permitindo que se aumente
o intervalo entre uma irrigação e
outra. Eleva a tolerância a altas e baixas
temperaturas, permitindo a maior sobrevivência
de gramas de estação quente no
inverno ou de gramas de estação fria no
verão. Aumenta também a resistência
das folhas da grama ao tráfego, o que é essencial para gramados esportivos,
assim como torna os gramados mais
resistentes a patógenos e pragas.
Apesar de o Silício ser o segundo elemento
mineral mais abundante na crosta
terrestre, em muitos solos a quantidade
disponível é baixa, principalmente em
regiões com altas quantidades de chuvas,
com elevado grau de intemperismo e
de lixiviação do Silício.
A absorção do
Silício por plantas colhidas em áreas de
cultivo sem a adequada reposição deste,
também tem contribuído para a redução
do teor de Si disponível nos solos. Solos
minerais muito intemperizados, mais ácidos (com baixo pH), e solos orgânicos
geralmente apresentam baixo teor
de Silício. Os solos arenosos possuem
altas quantidades de óxido de Si (quartzo
- SiO2), mas apresentam baixo teor de
Si disponível para as plantas. Este fato é importante para gramados que são
instalados com substratos à base de areia
(quartzo), como gramados esportivos
(campos de futebol, greens de campos
de golfe, etc.).
Nestas situações a disponibilidade
de Silício normalmente é muito baixa, portanto as aplicações deste
elemento devem influenciar algumas
características dos gramados.
Muitas plantas são capazes de absorver
Silício, no entanto, dependendo da
espécie, o teor de Si no tecido vegetal
pode variar de 0,1% a mais de 10%.
Consideram-se plantas acumuladoras
aquelas com teor de Si maior que 1%,
como é o caso da maioria das gramíneas. como o arroz, cana de açúcar, milho, trigo,
aveia e as gramas.
Em plantas como
a cavalinha, tiririca, cana de açúcar e
arroz, o conteúdo de Silício chega a ser
maior que o de macronutrientes como o
N e K.
As gramas de estação quente têm
mostrado boa resposta à aplicação do
Silício, havendo um aumento significativo
no teor deste elemento nas principais
gramas utilizadas no Brasil (Tabela 1).
As gramas Bermuda e Zoysia são as
que apresentam maior teor de Silício,
uma das características que as tornam
mais resistentes ao tráfego ou pisoteio.
Em experimento realizado nos E.U.A.,
a grama Santo Agostinho apresentou aumento
linear da concentração de Silício,
de acordo com a maior disponibilidade
de Si no solo, elevando o teor foliar de
Si, de 0,6%, em condições de baixa disponibilidade
de Si no solo, para 1,2%,
em condições de alta disponibilidade
(Figura 1). Este tipo de resposta também
foi observado na grama Bermuda, ocorrendo
aumento do teor foliar de Si, de 0,4
para 0,8%, com a aplicação de 10 t/ha
de silicato de cálcio. Assim, a aplicação
de Silício em gramados com baixa disponibilidade
de Si, provavelmente, pode
resultar em aumento do teor foliar de Si
na grama, podendo proporcionar algum
efeito benéfico.
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Resultados de experimento realizado
nos E.U.A. indicam aumento na resistência
da grama Zoysia à Rhizoctonia
solani. O desenvolvimento da
doença Gray leaf spot (mancha cinza na
folha), causado por Pyricularia grisea,
foi reduzido em cultivares de grama
Santo Agostinho quando realizada a aplicação de Silício (Figura 2). Também
já foi observado o aumento da resistência
da grama Bermuda “Tifway”,
fertilizada com Si, ao patógeno Bipolaris
cynodontis, que causa a doença
Bipolaris Leaf blocth (mancha foliar
de Bypolaris), em relação a gramas que
não receberam o Si. Logo, a utilização
do Silício pode reduzir a aplicação de
fungicidas, diminuindo os riscos de
contaminação ambiental.
Alguns trabalhos têm demonstrado
também aumento na tolerância ao
tráfego com a aplicação do Silício nas
gramas Zoysia e na Seashore Paspalum.
O acúmulo de Silício logo abaixo da
cutícula da folha e dos caules, junto
com o aumento na síntese de lignina,
pode promover esta maior resistência
da grama.
Na grama Seashore Paspalum
foi comprovado o efeito da aplicação
de Silício, aumentando a resistência a
baixas temperaturas. Na Figura 3 pode
ser observado um gramado que não
recebeu Silício, apresentando as pontas
das folhas amareladas e baixo crescimento,
indicando o efeito das baixas
temperaturas de inverno. A comparação é feita com um gramado que recebeu a
aplicação de silicato de potássio. Este
efeito ocorre devido ao fato de que o
Silício proporciona maior acúmulo de
solutos nas células das gramas e melhora
o sistema defensivo das gramas contra
estresses, como no caso, o frio.
Fica claro que, apesar do Silício não ser
um elemento essencial para a grama, a
sua aplicação em solos ou substratos
carentes de Si, como nos greens de
golfe, pode resultar em efeitos benéficos
para os gramados e para o meio
ambiente.
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